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![]() | ||||
![]() Acadêmico: José Renato Nalini Quantas árvores Jundiaí tem plantado nos últimos anos?
Jundiaí tem plantado árvores? São Paulo não planta árvores há seis meses, noticia a FSP de 21 de fevereiro, com foto na primeira página do Brás, na Zona Leste, a região mais desprovida de cobertura arbórea na capital. A reportagem de Isabela Lobato menciona que 2021 foi o ano em que menos se plantou na pauliceia cor de cinza, desde 2016. Faltam cento e oitenta mil árvores e o serviço de replantio, contratado com uma empresa privada, está suspenso desde julho de 2021. A coisa é muito mais grave, considerando-se as árvores que caíram com as tempestades e não foram repostas. Sabe-se que muita gente se aproveita dessas oportunidades e corta aquelas que incomodam porque as folhas caem e é preciso varrer, ou fazem muita sombra, ou servem para "esconder bandidos". Essa a versão de um Prefeito da capital, quando sugeri a ele que tornasse a Zona Leste um pouco mais verde. Constatação empírica de quem volta a São Paulo de alguma viagem e tem de ficar sobrevoando a cidade, até que Congonhas autorize o pouso. A Zona Leste é uma triste mancha plúmbea, uma concentração desumana de moradias, sem o verde do oxigênio e da vida. O Brás, por exemplo, tem 3 da vegetação que seria necessária. O município compensa com Parelheiros, que atinge 60 - por enquanto - de cobertura vegetal, com remanescente da Mata Atlântica. O velho tema da média em estatística: alguém com os pés na geladeira e a cabeça no forno, está com temperatura média suportável. E a qualidade de vida de quem vive em meio à poluição, com as temperaturas elevadas a níveis impróprios, sem a sombra refrescante de uma árvore? Isso acontece exatamente quando o planeta sofre as perversas consequências do aquecimento global, único e previsível resultado da insanidade no trato ambiental. O clamor da ciência e dos poucos ambientalistas não ecoa na população, que será a maior prejudicada. Principalmente a mais pobre. Várias explicações: Primeiro, o Brasil é uma nação de iletrados. Faltou educação de qualidade para formar a cidadania criativa, que conhece os seus direitos e também deveres e se oporia aos desmandos praticados em nome do bem comum.Segundo,o combate ao aquecimento global é dispendioso. Precisaria começar com o desestímulo ao uso dos combustíveis fósseis e punir - de verdade - quem desmata. Terceiro: enquanto os custos são imediatos, os benefícios são remotos. A preponderância do egoísmo insensível faz com que se continue a sacrificar a natureza e que a conta fique para quem vier. É tão dramática a situação do Brasil que elimina seus biomas, a começar da Amazônia, comoção universal, mas também a nossa Mata Atlântica, que até o insuspeito ministro do meio ambiente oficia a seu chefe, para reforçar a Política Nacional de Mudança Climática. Uma das propostas é antecipar as metas de redução do desmatamento, inclusive submetendo o tema a consulta pública. Se tal postura sai da mesma instância que há pouco insistia em "soltar a boiada", é porque a coisa está mesmo feia. O Brasil teria tudo para se beneficiar da impositiva política da descarbonização, vendendo os créditos originados da floresta residual. Não está prestando atenção a isso. Vai, uma vez mais, matar a sua galinha dos ovos de ouro. Porque os países civilizados adotam medidas próprias para a redução das emissões e, dentro em pouco, deixarão de comprar créditos. Será uma triste ironia ver o Brasil ter de pagar crédito de carbono para outros países, em lugar de lucrar com aqueles que desperdiçou. É claro que os indivíduos podem se sentir impotentes para reverter a política antinatureza adotada pelo Brasil. Mas podem influenciar os que estão mais próximos e examinar se sua cidade está fazendo sua parte. Jundiaí foi privilegiada com a Serra do Japi, que aos poucos vai sendo cercada por edificações, muitas das quais a "vendem" como reserva ambiental, mas a sufocam gradual e maldosamente. Vê-se um crescente canteiro de obras com a participação do governo estadual, mas não se detecta um plantio compensatório, que mitigasse a tendência de se construir uma cidade para o automóvel, não para o ser humano. Se São Paulo não cumpre a promessa de Bruno Covas, de plantar uma árvore para cada vítima da Covid, Jundiaí poderia fazê-lo. Quantas árvores Jundiaí tem plantado nos últimos anos? Publicado no Jornal de Jundiaí/Opinião Em 10 03 2022 ![]() ![]() |
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