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UMA JUNDIAÍ QUE NÃO VOLTA MAIS
Acadêmico: José Renato Nalini
Identifiquei na foto a nata dos educadores da Terra de Petronilha

Uma Jundiaí que não volta mais

Gente nascida na primeira metade do século passado, como eu, assimila as tecnologias disponíveis e passa a ser um dependente delas. Assim é que vários grupos de WhatsApp nos permitem estar em contato com pessoas queridas que não estão geograficamente próximas, porém ao alcance de um clique.

Por ocasião do dia do professor, 15 de outubro, o querido Leonel Brayner da Rocha Lima, que mora em Salvador com sua Aninha - casamento que dura 52 anos! - postou uma foto com a professora Mercedes Cruañes Rinaldi, de saudosíssima memória. O destino foi o grupo "Amigos do Padre Alex", que foi formado para as saborosas homilias do Padre Alex Barbosa de Brito e de seus colegas de sacerdócio, do grupo Arautos do Evangelho.

Logo identifiquei algumas pessoas que fazem parte do meu repertório saudosista: Celso Pinto Ferraz, que partiu tão cedo, Elísio Quadros, Fernando Ladeira Pachur, felizmente entre nós, a minha querida amiga Geralda Yarid, que perdemos há pouco, Denilson Bomk, Maria Inês (Minês) Rocco. Logo em seguida, o próprio Leonel continuou a identificar os colegas do Ginásio Rosa: Danilo Checinato, Milton Duli, irmão da Mercedes, Renato Pompermayer, Áurea Spiandorim, Maria Rigoni Medeiros, Raul Meloni Siqueira, Jefferson Braemcha, Sérgio Amaral Westin Cabral de Vasconcellos, João Lino Picchi, Alberto Franco Cecchi, Jorge Carletti Copelli.

Logo entra Didi (Edwiges Ladeira Penteado), iniciando gostoso diálogo. Sua tia Brandina Ladeira foi quem alfabetizou Leonel. Ele se lembrou da Adiles Lorza Ladeira e seu irmão Cláudio, mencionou o Taio, que é irmão do Vicentinho. Logo surgem as primas Ladeira: Anna Theresa Ladeira Pachur, Badete (Maria Bernardete Calichio Ladeira, depois Storani, pois se casou com Renato, outro imenso bom caráter), Macaia (Maria Clara Ladeira Scrico), Annete Ladeira Guyot, depois Lourencini, pois se casou com Hélio Luiz Lourencini, também precocemente nos abandonando.

Por coincidência - e Georges Bernanos dizia que não há coincidência! Aquilo que assim chamamos não é senão a lógica de Deus - Bel Penteado (Isabel Cristina Penteado), que mora no Rio de Janeiro, posta uma foto com as professoras do Grupo Escolar "Conde do Parnaíba", que junto com o "Siqueira de Moraes", recebiam a infância e juventude jundiaiense nas décadas de cinquenta e sessenta.

Nessa linda foto, a refletir a elegância dos docentes, que eram figuras respeitadíssimas, amadas, reverenciadas mesmo, tanto por alunos, como por suas famílias, estão luminares da educação de nossa terra: dois únicos varões: Dr. Luiz de Carvalho, junto com sua esposa, D. Marina, pais de Marininha Cascaldi, que integra o grupo dos amigos do Padre Alex, José Flávio Martins Bonilha. Mais a sempre lembrada alfabetizadora Brandina Ladeira Penteado, que também era catequista, junto com Inês Moreira e Escolástica Fornari.

Identifiquei na foto a nata dos educadores da Terra de Petronilha: Edde Simões Mesquita, mãe do Yaro e do Célio, Aparecida Muller, mãe do José Rubens de Oliveira, Aninha Brito, Branca Paolielo, Dinorah Portugal Bomk, tia da Cristina, pois irmã da queridíssima D. Irene Portugal Castilho de Andrade. Essas mestras precisam ser reverenciadas. Quando participei da primeira gestão Walmor Barbosa Martins, procurei conferir nomes de professoras às ruas ainda sem patronímico. Recorri à minha mãe, que idolatrava suas mestras. Dentre elas, recordo-me de Ernestina Ribeiro. Também procurei recordar mestras que se responsabilizaram pela educação formal de gerações, como Judith Andrade, que foi a primeira esposa de meu tio Raul Boaroto Nalini.

As autoridades da educação desse tempo eram realmente "autoridades". Quem não se recorda do Professor Arthur Chagas, do Doutor Lupércio Silveira? Daquele padrão ético e de erudição, além de modelo pedagógico inovador e pioneiro, que foi Elza Facca Martins Bonilha?

Particularmente, sempre nutri respeito e crescente admiração por minhas mestras, ainda que não tivesse permanecido tanto tempo com elas: Branca Paolielo Conde e Lia Avallone, no Educandário Nossa Senhora do Desterro. D. Zéca e D. Lica, as catequistas de São Bento. Irmãs Vicentinas Suzana, Otávia, Úrsula, Verona e Zélia, na Escola Paroquial Francisco Telles, onde também respeitava as diretoras Irmã Maria de São Luís e Irmã Flórida, assim como as religiosas Irmã Josina e Irmã Carmem, do que chamávamos à época de "Orfanato".

Falta espaço para falar dos demais professores. Mas que milagre a tecnologia nos propicia: voltar à Jundiaí de nosso tempo. Temo que não volta mais.

Publicado no Jornal de Jundiaí/Opinião
Em 07 11 2021



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