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BREVE NOTÍCIA DA ACADEMIA
1955 a 1979
BRASIL BANDECCHI

I — O Ápice de Uma Campanha

O que se vai ler é um esboço histórico, ou melhor, o registro dos fatos que entendemos os mais notáveis da vida da Academia Paulista de Letras, de 1955 até esta data, pois que do período anterior, o acadêmico Carlos Alberto Nunes já traçou sua história com brilhantismo e mão de mestre.

Através da leitura das atas e de relatórios, fontes primárias de que nos valemos, procuramos apresentar o quadro de suas atividades e marcante presença na vida cultural de São Paulo.

Não nos deteremos em gizar os traços bio-bibliográficos e as atividades dos senhores acadêmicos, porque tanto os dos titulares, como de seus antecessores e patronos, encontram-se, em outra parte, assinalados de forma sintética, porém precisa.
O ano de 1955, se não é propriamente um marco ou divisor de águas de duas eras, é o momento culminante de todo um período de lutas, trabalhos, sacrifícios, renúncias para que o Sodalício vencesse as dificuldades que se antepõem aos passos iniciais de toda instituição que tem por finalidade a meta superior da cultura.

Presidia a Casa de J. J. de Carvalho, o acadêmico Altino Arantes. Por 15 anos ocupara o cargo supremo, sucedendo no posto o historiador e jurista emérito, que foi Alcântara Machado.

Na sessão de 21 de dezembro de 1956, Altino Arantes leu o relatório referente ao ano anterior. Em seu trabalho destacou dois legados que D. Luísa Leite de Sousa instituiu com o objetivo, um, de ser conferido prêmio com o nome do escritor Cláudio de Sousa, seu falecido esposo e, outro, da publicação da obra completa deste intelectual, e registrou, também, a doação de Cr$ 100.000,00 feita à Academia pelo Jockey Club de São Paulo. Referiu-se, ainda, às visitas à Academia pelo Dr. Peregrino Júnior, presidente da Academia Brasileira de Letras, pelo Prof. De Gasperi, presidente da Academia de Letras do Uruguai e a da veneranda viúva do poeta Teófilo Dias, que muito sensibilizou o Sodalício.

No que tange à parte administrativa, principalmente no setor das finanças, é minucioso. Sente-se que é o timoneiro que vai deixar a direção do barco, e, por isso, presta contas detalhadas e abre seu coração em palavras de repassado sentimentalismo:

"Isento agora de quaisquer possíveis ressentimentos e mágoas e reciprocamente esquecidas as nossas divergências ocasionais e as nossas mútuas incompreensões, inerentes a todas as comunidades, renovo aos ilustres e prezados confrades o meu agradecimento sincero e perene pela confiança e pelo apoio com que sempre me assistiram e dos quais guardarei no íntimo dalma saudosa e afetiva lembrança. Aos meus inteligentes, operosos e dedicados companheiros de Diretoria deixo exarado o testemunho do meu apreço e do reconhecimento que lhes devo pela colaboração que solicitamente me prestaram sempre."

No entanto, faz questão de dirigir um agradecimento todo especial ao que ocupara, nas suas gestões, cargo difícil, espinhoso:

"Mas, a Gofredo T. da Silva Telles, ao diligente, honrado e incansável Tesoureiro desta Casa, quero, nestas últimas palavras traduzir e documentar o quanto lhe devo pessoalmente, mas também sobretudo o que lhe fica a dever para sempre a Academia Paulista de Letras, a qual, nele encontrou diuturnamente, infatigavelmente, não só o gestor escrupuloso e vigilante das suas finanças e do seu patrimônio, como também o diretor lúcido, solícito e indefeso que acompanhou, dia a dia, pedra por pedra, o levantamento vagaroso talvez, mas sempre seguro e triunfal do palácio que ora nos abriga, e sob cujos tetos esperamos se desenvolva mais ampla, mais fecunda e mais brilhante, porque aligeirada, dora em diante, de maiores preocupações materiais e conduzida por melhores timoneiros, a ação cultural e cívica da gloriosa Academia Paulista de Letras."
A citação foi longa, mas necessária.

Desde 1941, Altino Arantes presidia a Academia; depois de longos anos no posto de comando, chegava ao termo final e definitivo, por sua vontade, desse mandato. Seus companheiros de Diretoria, além de Gofredo da Silva Telles, eram, nesse ano, Cândido Mota Filho Secretário Geral; Pedro de Oliveira Ribeiro.





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