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ENTRADA EM JERUSALÉM
Acadêmico: Dom Fernando Antonio Figueiredo
Reflexão do evangelho - Lc 19,28-40 - Entrada em Jerusalém

Não era ainda Pessach, festa da primavera, ocasião em que se comemorava a partida dos judeus do Egito, e já uma multidão de romeiros, proveniente do interior de Israel e dos países vizinhos, se reunia em Jerusalém. Entrementes, em Betfagé, situada entre Betânia e o Monte das Oliveiras, os Apóstolos, a pedido de Jesus, preparavam uma montaria, um jumentinho, que O conduziria à cidade santa.

Ao entrar em Jerusalém, uma pequena multidão, em desfile jubiloso, com entusiasmo e fervor, exclamava: “Hosana! Bendito o que vem como rei em nome do Senhor. Paz no céu, glória ao Altíssimo! ”.

Jesus é recebido como Filho de Davi, o rei sábio e pacífico, na cidade que leva a paz impressa em seu nome. Momento de júbilo, de triunfo! Mantos e ramos são estendidos, ao longo do caminho, em sinal de respeito e de honra; à frente, as crianças correm, cantando e balouçando folhas de palmeira. Os Apóstolos, caminhando ao lado de Jesus, não cabendo em si, exultavam de alegria. Finalmente, pensavam eles, chegara o dia tão ardentemente desejado: a gloriosa e triunfal manifestaç&atild e;o do Messias!
Os fariseus, por inveja ou por medo dos romanos, protestavam: “Mestre, repreende teus discípulos! ”. A resposta de Jesus é clara: “Se eles se calarem, as pedras gritarão”.

Montado num simples jumento, contendo em si toda a riqueza do mundo, Ele os adverte do orgulho e da ganância, numa linguagem para alguns deles incompreensível, indicando-lhes o caminho para alcançar a perfeição espiritual da unidade com Deus. A propósito, escreve S. Agostinho: “Cristo não perde a divindade, quando ensina a humildade”.

Em meio aos louvores, ao júbilo, é necessário ouvir o silêncio... ouvir a voz interior, que fala ao coração e afirma que ali está quem não exclui ninguém, nem os inimigos. Mas há uma evidente e imprescindível implicação moral: libertar-se interiormente da maldade e do pecado, e, assim, alcançar, sempre mais, a perfeição espiritual da unidade com Deus.

O dia declina. Ao lado das muralhas, os Apóstolos se lembram das lágrimas do Mestre sobre a cidade de Jerusalém, ao dizer: “Se ao menos hoje, também tu visses o caminho da paz”. Palavras que Ele dirige a todos os homens, para que, estendendo seus mantos, O acolham em seus corações. “Então, todos os lábios, dirá S. André de Creta, se abrirão para proclamar, juntamente com as crianças, as santas palavras: ‘Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor! ’”.

+Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM




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