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ADVENTO DO SENHOR: “A PALAVRA SE FEZ CARNE”.
Acadêmico: Dom Fernando Antonio Figueiredo
Reflexão do Evangelho, domingo, 08 de dezembro - Jo 1, 1-18

A voz do Evangelista. S. João soa como alguém clamando no deserto; suas inflexões e nuanças são vitais para os que o escutam. Ele entoa um hino ao preexistente da criação: “No princípio havia a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus. Ela existia, no princípio junto de Deus e tudo foi feito por meio dela e sem ela nada foi feito de tudo (panta) o que existe”.

O Filho de Deus é o eternamente preexistente, fonte da graça e da verdade, por quem tudo (panta) foi criado, e para quem tudo existe. O termo grego panta, sem artigo, designa uma realidade única e plural, todas as coisas e, igualmente, cada uma delas.

Dinâmica e fecunda, a criação, abençoada por Deus, não é uma imensa massa inerte e indiferente. Impelida pelo desejo insaciável do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, ela se refaz, constantemente, e concretiza, em consonância com a vida, a Bondade divina, força transfiguradora, que nos permite nascer, permanentemente, numa participação sempre maior, que não cessará, nem mesmo na vida eterna.

Eis a grandeza de nossas origens, bem como da sublimidade do nosso destino!

O Advento, período de quatro semanas, é o tempo litúrgico de preparação para a vinda de Jesus, “caminho, verdade e vida”, fonte inexaurível de nossa assimilação a Deus. Vindo até nós,
Ele nos liberta da dualidade e da imperfeição, e nos reintegra no plano amoroso do Pai.

Ao estabelecer sua tenda (eskénose) entre nós, Jesus nos afasta das trevas, que nos tornam áridos e doentes no corpo e no espírito, e se revela, em seu modo de existir e de agir, “divinamente” homem e “humanamente” Deus. Em sua humanidade, unindo-nos, intimamente, ao Pai, Ele nos torna filhos de Deus, por adoção, e partícipes de todas as perfeições divinas: inaugura-se um novo tempo, e a vida divina começa a se desenvolver em nós e no seio da história humana.

A esse respeito, S. Gregório de Nissa tecerá um belo paralelo entre a festa dos tabernáculos e o mistério da encarnação. Se antes, Deus morava no meio do seu povo e se deixava encontrar por Moisés, e com ele falava “da tenda”, agora, a própria Palavra de Deus se fez carne, e nos chama à Vida.

No Natal, contemplando, naquele que nasce em Belém, o próprio Deus, vivamos como filhos e filhas de Deus, gerados não pela carne, nem pelo sangue, mas pela acolhida e prática da Sua Palavra!



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