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![]() 25/3/2026 HOMENAGEM AO ACADÊMICO CÉLIO DEBES PELO CENTENÁRIO DE SEU NASCIMENTO O neto Eduarto Debes presta homenagem ao seu avô, o acadêmico Célio Debes, pelo centenário de seu nascimento.
O CENTENÁRIO DE UM IMORTAL 100 anos é uma faísca de eternidade. Eu jurei que você viveria até os seus 100 anos de idade. Hoje, meu jovem velho amigo, estou só, sentado diante de um bloco de papel escrevendo memórias e reflexões para saudá-lo pelo seu centenário. Hoje eu me dirijo aquele menino franzino, que cresceu nas ruas do bairro da Vila Mariana, carregando de herança o sangue e o suor dos libaneses e a coragem e o trabalho dos paulistas. Hoje eu dedico meu tempo a honrar a memória do jovem, que entrou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, onde formou-se na distinta turma de 1950. Um homem que decidiu dividir uma vida com almas tão gigantes e fortes quanto a sua. Um homem que se dedicou ao trabalho e a família, que viu nascer inúmeras vidas ao seu redor. Viu e viveu conquistas e tristezas. Seguiu, de cabeça erguida, na avenida da vida destinada aos grandes. Aos grandes, porém anônimos. Como todo dia nas ruas do centro de São Paulo, caminhava ali, como um desconhecido, mas carregando consigo, as marcas de uma guerra atemporal: cumprir o dever e voltar para a família. Antes pai, papai…depois avô, vovô….biso. O homem dos mil livros, das barras de chocolate escondidas no armário, da bala de menta na latinha ao lado da cama, bem debaixo da luminária de ferro, antiga, pesada, que iluminava as leituras noturnas. Que assistia ao jornal com a atenção redobrada, podendo ser interrompido apenas por si mesmo. A vida fluía, corria serena e bela. O homem que cruzou as Arcadas, seguiu pela São João e encontrou a imortalidade no Arouche, na gloriosa Academia Paulista de Letras. Reviveu Campos Salles, Washington Luiz e outros. Trouxe vida aos esquecidos e exaltou os heróis. Quem tanta vida trouxe ao mundo, paga também o preço de ver vidas partindo. Jovens, eternas. Luto de pai, luto de esposo, mas jamais luto de amor. Amor que o sustentou junto aos seus, até o final, naquele dia em que no último ponto do seu trabalho, colocou também o ponto final de seu último ato entre nós. Seguiu para o lado de lá, em nossos corações e de tantos outros, que tiveram o privilégio de repartir um pouquinho dessa grande goiabada com queijo que chamamos de vida. Foi embora Célio Debes, ficou o imortal pai, avô, bisavô. Que onde estiver, seguirá, esperando com a porta do quarto entreaberta e a luz acessa, até que chegue o último dos seus. Um beijo Vô! voltar
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