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![]() Acadêmico: Antonio Penteado Mendonça Ser agricultor no Brasil é muito complicado e exige uma enorme capacidade de resistência diante dos contratempos decorrentes da atividade.
Agronegócio e seguro O agronegócio brasileiro é o mais pujante do mundo. Ano a ano o setor se moderniza, cria paradigmas, aumenta sua participação no mercado internacional, trazendo para o Brasil as divisas que fazem nossa balança comercial não ser um vexame. O problema é que a coisa não é fácil. Ser agricultor no Brasil é muito complicado e exige uma enorme capacidade de resistência diante dos contratempos decorrentes da atividade. As dificuldades não são apenas de ordem climática. A insegurança jurídica no campo é recorrente. Fazendeiros instalados em propriedades com titulação de mais de um século são despejados por decisões administrativas, tomadas em gabinetes de gente que nunca foi além dos gramados entre os prédios de Brasília. Fazendas são invadidas, depredadas e depois que o proprietário a retoma, ainda por cima, morre com a conta dos prejuízos deixados pelos invasores, que vão de gado registrado abatido para fazer churrasco, ao desaparecimento de máquinas e equipamentos. O fato é que não há afinidade entre o atual poder executivo e o agronegócio. Ao contrário, o governo faz o que pode para não ajudar e quando não atrapalha diretamente o faz indiretamente, como aconteceu com o seguro rural, que de uma necessidade próxima a 4 bilhões de reais por ano (nunca atingida), foi reduzido de um bilhão para menos de 600 milhões de reais. Anos atrás, um grande executivo alemão, que por acaso tinha fazendas no Brasil, me disse que a diferença básica entre uma indústria e uma fazenda é que indústria gira seu capital de giro a cada 30 dias enquanto o fazendeiro gira a cada 12 meses. Só isso já é uma diferença brutal a favor da indústria. Mas tem mais. A indústria depende de fatores controláveis pelo homem, e o fazendeiro depende de fatores fora do controle, como chuva no tempo certo, seca durante a germinação e a florada, pragas, doenças e quebra da safra, além de falta de insumos, pouco crédito, falta de seguro, falta de silos para estocar a safra, estradas ruins, falta de transporte, etc. No mundo inteiro, de uma forma ou de outra, os governos subsidiam a agricultura. Pode ser através de financiamentos a custo zero, tarifas exorbitantes para a importação de determinados produtos, supressão da concorrência, subsídios no seguro do produtor rural e outros. Há um movimento no Congresso Nacional para a aprovação de leis que aumentem a segurança do agricultor brasileiro. É importante que este movimento avance, não só para proteger o grande empresário rural, mas, principalmente, para dar condições para os agricultores de porte médio e a agricultura familiar terem como produzir, sem estarem permanentemente ameaçados. Neste cenário, o seguro para a agricultura é um dos diferenciais mais relevantes. Com um programa de seguro bem estruturado e eficiente, o produtor rural tem a segurança necessária para fazer frente as dificuldades e imprevistos que o ameaçam. E um programa de seguro eficiente vai muito além do seguro rural. É claro que ele é o mais importante para o produtor, mas existe uma enorme quantidade de imóveis, veículos, máquinas e equipamentos que custam caro e estão sendo usadas sem seguro. Levar em conta a realidade e planejar em cima é a forma mais efetiva de sucesso. O interior do Brasil está aí para ser segurado. Se isso for feito, ganham todos, mas, acima de tudo, ganha sociedade brasileira. Publicado no SindsegSP, em 03 06 2026 voltar
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