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O ORIENTE MÉDIO E O SEGURO NO BRASIL
Acadêmico: Antonio Penteado Mendonça
A tensão no Oriente Médio vai além dos danos diretamente causados ao Irã. Toda a região está conflagrada e os danos se estendem, com maior ou menor gravidade, a Arabia Saudita, aos países do Golfo, a Palestina, ao Líbano e a Israel.

O Oriente Médio e o seguro no Brasil

A tensão no Oriente Médio vai além dos danos diretamente causados ao Irã. Toda a região está conflagrada e os danos se estendem, com maior ou menor gravidade, a Arabia Saudita, aos países do Golfo, a Palestina, ao Líbano e a Israel.

Esta situação complica sobremaneira as relações internacionais de forma geral, além de atingir quase que indistintamente os protagonistas e as nações vítimas dos efeitos colaterais da guerra.

Estados Unidos, Israel e Irã sofrem diariamente uma sangria em suas contas. Dizem que o custo da guerra para os Estados Unidos está em um bilhão de dólares por dia, Israel está abatendo os drones baratos do Irã com mísseis caríssimos e o Irã tem seu território bombardeado diariamente. Mas, além deles, os outros países da região também sofrem perdas severas. Instalações petrolíferas estão sendo atingidas, edifícios emblemáticos estão sendo danificados e, principalmente, a certeza de que eram países fora da possibilidade de danos decorrentes de guerras foi abalada.

Ainda é cedo para se falar no custo total da guerra. Quanto será gasto pelos combatentes, quanto patrimônio será destruído, quanta confiança será abalada, quando petróleo deixará de ser transportado, são dados ainda impossíveis de serem contabilizados. Mas os custos e os prejuízos atingirem centenas de bilhões de dólares não está fora da realidade.

Este desenho tem impacto direto na atividade seguradora internacional. Começando pelo óbvio, o transporte de petróleo pelo estreito de Ormuz não tem como o mercado segurador não ser diretamente atingido. Seja pela suspensão da cobertura para navios e cargas transportadas, seja pela redução dos prêmios, seja pelo pagamento de indenizações, haverá uma conta a ser paga e quem vai morrer com ela são as seguradoras e resseguradoras.

Dependendo dos desdobramentos, entre eles a retomada de cobertura para os riscos dos navios e suas cargas que navegam pelo Estreito de Ormuz, a conta pode ficar muito cara. Mas se levarmos em conta os danos causados a instalações petrolíferas nos países vizinhos ao Irã, bem como a outros ativos de diferentes espécies, a conta pode ficar muito mais cara.

É bom não esquecer que estes países eram considerados áreas seguras e que boa parte de seu patrimônio está segurado. Ou seja, as seguradoras terão que pagar indenizações para os danos sofridos por eles e os prêmio cobrados não levavam em consideração uma situação como a atual.

Dificilmente os prêmios cobrados para garantir estes riscos serão suficientes para fazer frente aos prejuízos. Assim, as seguradoras terão que reajustar os preços de seus seguros ao redor do mundo para reequilibrar suas carteiras. Apenas a elevação do preço do seguro na região do Golfo Pérsico não conseguirá fazer isso.

Em outras palavras, pode ser que os seguros brasileiros e de outros países sem qualquer relação com a guerra venham a ser indiretamente impactados pela situação no Oriente Médio, com seu consequente encarecimento porque os contratos de resseguros estarão mais caros.

Este é um desdobramento da globalização do setor de seguros e não tem como fugir dele. Pelas próprias características, nem sempre o preço do seu seguro tem a ver apenas com a sua realidade.


Publicado no SindsegSP, em 20 03 2026



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