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VIOLÊNCIA CUSTA CARO
Acadêmico: Antonio Penteado Mendonça
Como não poderia deixar de ser, a ferramenta mais eficiente para minimizar os prejuízos consequentes desta realidade é o seguro

Violência custa caro

A grande preocupação da sociedade brasileira é a violência. Violência que corre solta, de todas as formas, de feminicídios a agressões no trânsito, passando por crime organizado, achaques, corrupção, roubos, furtos e o mais previsto no Código Penal, que faz a vida do brasileiro honesto se transformar num mar de insegurança.

Não tem mais cidade, independentemente do tamanho, sem grades na frente das casas ou nas janelas. Hoje, o bandido está solto nas ruas; e os cidadãos, com medo, escondidos atrás das grades que minimizam a possibilidade de serem vítimas de crimes.

É uma proteção muitas vezes ilusória. Os roubos a residências são uma realidade brutal em todo o País. E muitas vezes eles acontecem com o emprego de violência extrema e até mesmo tortura, como aconteceu com o pai de um amigo que foi queimado com faca em brasa pelos assaltantes de sua casa.


Em São Paulo, um carro é roubado ou furtado a cada 10 minutos. E o roubo de celulares passa dos 350 mil por ano. Diante deste quadro apavorante, a Secretaria da Segurança Pública emite notas e comunicados dando conta que está aumentando o patrulhamento, investindo em inteligência e tomando outras medidas para diminuir o número absurdo de ocorrências que apavoram os cidadãos.

Infelizmente, suas informações não causam muito efeito, porque em contraste com elas, o paulistano continua sentindo na pele as consequências da violência nas ruas.

São Paulo tem o maior número de presos do País. Até aí, tudo dentro da normalidade, a população do Estado também é a maior do País. Mas como diz o ex-presidente do Tribunal de Justiça desembargador José Renato Nalini “nós prendemos muito, mas prendemos mal”. O resultado foi o surgimento de facções extremamente bem-organizadas, que cresceram e se consolidaram, especialmente dentro do sistema carcerário, ao longo dos anos.

Como o tema violência substituiu custo de vida, desemprego e outros que eram as maiores preocupações dos brasileiros, os governos em todos os níveis têm se esforçado para mostrar que estão agindo e tomando as providências cabíveis para modificar o quadro. Mas não é de se esperar nenhum resultado de curto prazo, até porque o problema vai muito além de ações cinematográficas, como ocupações de favelas e a morte e prisão de centenas de criminosos.

Enquanto o Estado não cumprir suas obrigações e prover assistência social, saúde, educação e segurança para a população, o crime seguirá nadando de braçada. O problema é que o crime custa caro. Os roubos, furtos, acidentes de trânsito, homicídios, latrocínios etc abalam o patrimônio da sociedade.

A utilização de seguranças particulares, alarmes, cercas elétricas etc também custa muito dinheiro do cidadão que busca uma solução de proteção que não é dada pelo Estado.

Como não poderia deixar de ser, a ferramenta mais eficiente para minimizar os prejuízos consequentes desta realidade é o seguro. Mas diante do quadro atual, não tem como o seguro custar barato. Maior o volume das indenizações, maior o preço do seguro. Então, mais uma vez, parte da população fica sem esta proteção porque não tem dinheiro para pagar a apólice.

Publicado no jornal O Estado de S. Paulo/Opinião, em 26 01 2026



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