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![]() Acadêmico: Antonio Penteado Mendonça Seguro é produto para quem tem uma renda mínima capaz de permitir além de pagar os custos básicos da vida, investir na própria proteção, da família e do patrimônio.
Seguro e renda Seguro é produto para quem tem uma renda mínima capaz de permitir além de pagar os custos básicos da vida, investir na própria proteção, da família e do patrimônio. Sem essa sobra, não tem como contratar seguro. O preço da vida não transige e as necessidades básicas se impõem, absolutas. Alimentação, moradia, vestuário, contas de luz, água e celular são despesas essenciais. Sem elas a vida moderna é impossível. É só lembrar que o Brasil, um país com uma sociedade relativamente pobre, tem mais de um celular por habitante e gasta bilhões de reais por mês apostando nas “BET’s”. Mas além desses custos, depois que se cria uma família, as despesas aumentam. Não porque surjam situações novas e obrigatórias - elas até surgem – mas porque a multiplicação dos custos básicos por mais gente aumenta a despesa final, reduzindo a capacidade de realizar outros gastos. É comum escutar, quando se fala de educação financeira, que seguro é um investimento primordial, porque garante a manutenção do grupo familiar, seu patrimônio e capacidade de atuação, no caso de uma perda que comprometa sua sobrevivência. É verdade, mas diante das necessidades da vida, não é uma verdade absoluta. O Brasil é um país com mais de 200 milhões de habitantes, dos quais perto de 50 recebem salário-mínimo e cuja renda média está abaixo de 3 mil reais por mês. Sem entrar em questões mais complexas, como a vulnerabilidade a fome, fica evidente que com uma renda desta magnitude não há muita sobra para milhões de brasileiros terem outras alternativas de gasto, além dos custos com moradia, alimentação e vestuário. Dificilmente, uma família com 4 pessoas irá morar por menos do que 800 reais por mês. E o mesmo valor pode ser colocado como o mínimo indispensável para a alimentação. Como além deles, é necessário gastar pelo menos com roupa e celular, a renda média nacional já foi integralmente consumida. E ainda falta internet, luz, água e gás, indispensáveis para o mundo moderno, e que, dependendo da região, ainda por cima são controlados pelo crime organizado. O seguro brasileiro é um produto desenhado para a classe média e para empresas. Mais da metade da população não tem como pagar os seus preços. Isso explica por que o seguro de automóveis tem baixa penetração na sociedade. Também explica por que a maioria dos seguros de pessoas são contratados pelas empresas para seus colaboradores. Aí mora um problema. O número de pessoas com carteira assinada tende a diminuir, enquanto o número de “empreendedores” continua subindo. Boa parte deste contingente é composta por pessoas que não conseguem emprego formal, então se tornam vendedores, camelôs ou arrumam outras ocupações semelhantes. Vale dizer, não há o aumento da renda. Sem renda, não há como contratar seguro, nem fazer outras despesas, além das básicas. Este o nó que o país precisa desatar. Sem o aumento da renda, os vencimentos seguirão mal cobrindo as despesas básicas e os programas sociais seguirão sendo importantes. Neste cenário, o seguro pode crescer marginalmente, mas não tem como se pensar numa realidade semelhante a europeia ou norte-americana. Publicado no jornal O Estado de S. Paulo/Opinião, em 29 12 2025 voltar
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