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AJUNTAR TESOUROS? QUAIS?
Acadêmico: Dom Fernando Antonio Figueiredo
Reflexão do Evangelho "Lc 12,13-21 Ajuntar tesouros? Quais?

Ao contrário de João Batista, Jesus, Profeta da salvação, anuncia a vinda do Reino de Deus, não como julgamento, mas como manifestação da misericórdia divina. Ele nos fala de um Deus próximo a nós, um Deus que é Pai, Pai bondoso e amigo, mesmo para com os pecadores.

Enquanto falava, do meio da multidão, uma voz... um jovem, que Lhe pede: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”.

A resposta não é imediata... Um momento... O silêncio é importante. O olhar de Jesus percorre os ouvintes... Ele deseja provocar a fé, levar seus ouvintes a se voltarem para o Pai. Suas palavras... qual voz do segredo, recomenda-lhes: “Precavei-vos cuidadosamente de todo tipo de ganância... Mesmo na abundância a vida do homem não é assegurada por seus bens” .

Conta-lhes, então, a parábola de um jovem, cuja terra produziu muitos e muitos frutos. Aquele rapaz, rico, bem de vida, olha para o futuro... Como gostaria de vivê-lo, antecipadamente. Mas, “o que hei de fazer? - pensava ele. Não tenho onde guardar toda esta minha colheita”. O presente, como usufrui-lo? Como perpetuá-lo? Decidido, constrói novos e maiores celeiros, dizendo: “Agora repousa, come, bebe, regala-te”. Sua esperança, toda ela colocada no momento presente!

Porém, diz Jesus: “Insensato, naquela mesma noite lhe seria reclamada a sua alma”. E as coisas que acumulou, de quem seriam? Ele, consigo, levaria tão somente a insensibilidade humana, que, pela manhã, pensava que não chegaria à noite e a noite não chegaria ao dia seguinte.

Então, novamente, o sereno olhar de Jesus se volta para os ouvintes. E para surpresa deles, apresenta uma conclusão de estonteante simplicidade: “Assim acontece àquele que ajunta tesouros para si mesmo, e não é rico para Deus”.

Impressionados, os dois irmãos ouvem as palavras do Mestre, como Palavra do Pai, e, quais hóspedes e peregrinos neste mundo, consideram essencial afastarem-se de toda avareza e se colocarem, confiantemente, em Deus. Indo além, S. Agostinho exclama: “O seguro depósito de seus grãos seria o estômago dos pobres”.

+Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm




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