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PESCA MIRACULOSA
Acadêmico: Dom Fernando Antonio Figueiredo
Pesca miraculosa - Jo 21, 1-19

Em Cafarnaum, algo muito estranho acontecia. A população sentia-se desconcertada. E não era para menos, pois, alguns dias após a morte do Mestre, os Apóstolos, alegres e tranquilos, caminhavam entre eles, como se nada tivesse acontecido. Tudo indicava que tivessem voltado à vida normal: mas, para não ficarem ociosos, eles tinham retomado suas atividades de pescadores e, à noite, lá estavam, no lago, pescando.

Em suas fisionomias, eles refletiam uma “esperança crucificada”, aberta, não a um mundo de sonhos e fantasias, mas ao dom de uma vida nova, sinal de esperança dos que caminham, quais peregrinos, à sombra da cruz. Ouve-se o Apóstolo Paulo exclamar: “Cristo ressuscitou, primícias dos que morreram! ” (1Cor 15,20).

Na Galileia, na terra deles, para onde o Senhor os tinha enviado, na expectativa do cumprimento do mandato do Mestre, seus corações, certamente inquietos, refletiam as mesmas palavras, que, mais tarde, dirá S. Agostinho: “Eu temia tanto como à morte ficar preso pelo hábito rotineiro”.
O sol já começara a sair, e, apesar das múltiplas tentativas, eles não tinham ainda conseguido pescar nada. Porém, no lusco-fusco da manhã, eles avistam, na praia, um vulto... um estranho, que acena, dizendo-lhes: “Jovens, tendes algo para comer? ”.
O brilho do sol torna-se mais forte... O barco avança em direção à terra firme... A voz do estranho, sempre serena, soa aos seus ouvidos como uma ordem: “Lançai a rede à direita do barco e achareis! ”. Lançaram-na e, devido a grande quantidade de peixes, não tinham forças para arrastá-la.

Seus olhares voltam-se, imediatamente, para Aquele vulto, lá na praia. O rosto, envolto nas névoas matinais, parecia-lhes familiar.... Desta vez, mais próximos, a uns 30 metros de distância, aí, num vislumbre, João O reconhece e segreda a Pedro: “É o Senhor! ”. Impetuoso, ardoroso, Pedro se atira ao mar e vai ao encontro do Mestre. No dizer de S. Agostinho: “A pesca miraculosa tende à terra firme do eterno, onde Cristo nos precede”.

Emoção, profunda alegria... Pisando a areia da praia, eles O ouvem dizer: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”.

Seus lábios, como que entorpecidos, não conseguem dizer sequer uma palavra. Acercam-se d’Ele... Olhos de ternura e de bondade... Momentos de convívio e de paz. Juntos, assentados, tomam a refeição, ceia da amizade e do amor, raio divino, antecipação da eterna felicidade dos filhos da Ressurreição.




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