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JO 11, 45-56 - OS CHEFES DOS JUDEUS SENTENCIAM A MORTE DE JESUS
Acadêmico: Dom Fernando Antonio Figueiredo
Reflexão do Evangelho escrito por Dom Fernando Antonio Figueiredo, ”Jo 11, 45-56 - Os chefes dos judeus sentenciam a morte de Jesus"
No Sinédrio, as opiniões a respeito de Jesus se dividem: juntamente com alguns fariseus, há os que o viam como um blasfemador, que pretendia superar a Lei, defendida com rigorismo por eles; outros o admiravam e, na linha dos profetas, reconheciam os seus ensinamentos como uma tentativa para alcançar o sentido mais profundo da Lei. Ao Senhor, não lhe escapam os escárnios contra a sua pessoa, nem a atitude nobre e sincera de muitos dos que o ouvem. Em meio a um clima tenso, as palavras dos diversos grupos se atropelam, sobressaindo a voz dos que alegam o perigo de repressão por parte dos romanos e daqueles que, enciumados e movidos pela vaidade e soberba, não admitem o fato de tantas pessoas do povo o acompanharem. Estes “recriminam a si mesmos, observa S. Cirilo de Alexandria, por não terem matado Jesus antes da ressurreição de Lázaro, e exortam-se mutuamente crime, pois não suportam que as multidões creiam em Jesus”.
De repente, o burburinho das vozes é quebrado pelo parecer do sumo sacerdote, Caifás: “Não compreendeis que é de vosso interesse que um só homem morra pelo povo e não pereça a nação toda?”. Palavras que levam S. João Crisóstomo a exclamar: “Como é grande o poder pontifical! Pois tendo alcançado o grau supremo de sumo sacerdote, ele profetiza, sem mesmo discernir o que estava dizendo. A graça (charis) só se serviu dos seus lábios, pois não conseguiu tocar seu coração impuro”. Dramática ironia. Caifás vaticina que um devia morrer por todo o povo: a preposição “hyper tou laou”, significa “no lugar do povo”; mas não só por ele, observa o Evangelista, para quem “hyper tou” significa morrer “em favor de” todos os “filhos de Deus dispersos”, para reuni-los na unidade “(eis hen)” de um só povo, o Israel de Deus, o povo santo da nova Aliança.
Finalmente, os membros do Sinédrio, pressionados pela controvérsia e pelas muitas acusações, decidem pela sua morte. Decisão reforçada, sobretudo após a cura do cego de nascença e a ressurreição de Lázaro, que acabam de enfurecer seus corações. De um lado, a desconfiança e irritação dos membros do Sinédrio, de outro lado, a atitude misericordiosa de Jesus, que acolhe os pecadores e confirma para si o título de “Filho de Deus”, “Eu o sou” (Lc 22,67), sem nuança messiânica. Nesse processo de religião, a decisão dos membros do Sinédrio já está tomada: era preciso desembaraçar-se desse adversário perigoso, o simples carpinteiro de Nazaré, que se declarava Filho de Deus, e consequentemente um blasfemador público, merecedor da pena de morte. Por isso, eles enquadram as acusações num processo político e o conduzem a Pilatos para obterem sua condenação à morte.
Jesus, superando todas as expectativas, avança no caminho do amor, como o profeta escatológico, que instaurou o reino definitivo de Deus; no alto da cruz, Ele se revela servo de todos e, na liberdade do amor, sussurra: “Eu sou o vosso perdão, eu sou a Páscoa da Salvação, sou a vossa luz, a vossa Ressurreição” (Melitão de Sardes).

+Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm




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