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MT 21,1-11 - ENTRADA EM JERUSALÉM
Acadêmico: Dom Fernando Antonio Figueiredo
Reflexão do Evangelho escrito por Dom Fernando Antonio Figueiredo, “ Mt 21,1-11 - Entrada em Jerusalém ”
Na abertura da Semana Santa, a entrada de Jesus na cidade santa constitui o ponto alto da sua subida à cidade de Jerusalém. Lá já se encontrava uma multidão, Judeus provenientes de todos os lugares, peregrinos da Diáspora, e os “tementes de Deus”, estrangeiros ainda não circuncidados; o vozerio era enorme e muitos, que tinham ouvido falar dele, queriam vê-lo. Interrogações e incertezas vinham à mente dos Apóstolos, que recordavam as palavras do Mestre, preparando-os para sua morte. Porém, aquele momento, deliberadamente, organizado por Jesus, que caminhava à frente da procissão dos “Ramos”, dava-lhes ocasião de confirmar ser Ele o Messias, ao menos, o Rei do reino iminente. Mesmo extasiados diante de sua glória, eles não deixavam de reconhecer a humildade de servo sofredor, manifestada na escolha de sua montaria, um simples asno, alusão ao texto de Zacarias (9,9s), símbolo de humildade e de paz. Evidencia-se o triunfo da misericórdia divina, mais do que a justiça.
O mensageiro da paz avança, rodeado pelos habitantes de Betânia e pelos peregrinos de Jerusalém, que estendiam seus mantos e cobriam com ramos de oliveira o caminho por onde Ele devia passar. Todos exultavam de alegria e, como as crianças, corriam atrás dele, balouçando folhas de palmeiras. No seu silêncio, o burrico torna-se falante, adverte-os do orgulho e da ganância, e indica-lhes o caminho a ser trilhado para se chegar à paz e ao amor: a humildade e a simplicidade.
As dúvidas dos Apóstolos e dos seguidores de Jesus sobre quem é Ele desaparecem: Ele é o Messias, anunciado pelos profetas, preparado pelas Escrituras e desejado por todas as nações; Ele é o Mediador, em que se realiza “uma Aliança bem melhor” (Hb 8,6), a mais excelente e definitiva; Ele é o arauto do Reino, presente nele e por Ele, como jamais se tinha dado na história, pois, no dizer de S. Agostinho, “Ele não perde a divindade, quando nos ensina a humildade”.
O dia declina e, ao lado das muralhas, os Apóstolos se lembram das lágrimas do Mestre sobre a cidade de Jerusalém, ao dizer: “Se ao menos hoje também tu visses o caminho da paz”. Convite feito a todos os homens, convidando-os a imitar os que lhe foram fiéis, não para estenderem mantos aos seus pés, mas para acolhê-lo em seus corações. Unidos a eles, também nossos lábios se abrem e “aclamamos todos os dias, juntamente com as crianças, as santas palavras: ‘Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor! ’” (S. André de Creta).

+Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm




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